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BTB 41: TREINAMENTO NA TAIGA

Quando nos aventuramos no extremo oriente russo, visitando qualquer lugar remoto para treinar operadores ou consultar empresas florestais, sabemos sempre que será uma aventura.

— Gary MacDonald, suporte ao produto da Tigercat

Sou do Canadá, um país que abrange seis fusos horários, por isso acho normal os grandes vazios com longas distâncias entre cidades. Mas a Rússia leva isso a outro nível. É um país enorme com onze fusos horários, climas variados e baixa densidade populacional em grandes áreas rurais, com infraestruturas rodoviárias exigentes.

Colheitadeira Tigercat 860C com 20.000 horas.

Colheitadeira Tigercat 860C com 20.000 horas.

A principal floresta da Rússia faz parte de um dos maiores biomas do mundo, a floresta boreal, e representa um quinto da cobertura florestal do mundo. Conhecida na Rússia como Taiga, ela é maior que a Amazônia. Contém muitas das mesmas espécies existentes no Canadá e no Alasca, como lariço, pinheiro, abeto, abeto balsâmico, bétula e álamo. A área que percorremos estava localizada principalmente no extremo oriente da Rússia, conhecida pela maioria dos norte-americanos como Sibéria. A floresta boreal siberiana contém 55% das árvores coníferas do mundo. O pinheiro, o abeto, o lariço e o abeto balsâmico são valorizados pela madeira de grandes dimensões usada no país, mas são principalmente exportados. O pinheiro, a principal espécie procurada no leste, varia entre 0,2 e 1 m³ por árvore (um metro cúbico corresponde a cerca de uma tonelada curta).

Um grupo de operadores e funcionários da Tigercat em um local de trabalho, vários deles fazendo um sinal de positivo.Para viajar de Toronto a Bratsk, a capital florestal no leste da Rússia, são necessárias dezessete horas de voo, com onze horas de conexão, atravessando doze fusos horários. Em Bratsk, a viagem prossegue de carro por cinco horas (300 km) até um lugar chamado Novaya (Nova) Igirma, com população de 11.000 habitantes. A empresa RFG pediu à Tigercat para fornecer instruções operacionais com base no nível avaliado das habilidades dos seus operadores de feller buncher. A RFG possui três serrarias e 80 máquinas florestais da Tigercat. Duas das serrarias estão em Novaya Igirma e consomem 1,33 milhão de m³ por ano, com 80% desse volume cortado por máquinas da Tigercat. Uma terceira serraria em UST-Kut consome 1,1 milhão de m³ por ano.

O plano era treinar quatro grupos de operadores em blocos de três dias, totalizando dezesseis operadores treinados. O primeiro dia seria em sala de aula com Artem Shilov, meu parceiro de viagem A equipe em frente a um feller buncher 860C. e representante de vendas e suporte da Tigercat na Rússia. Artem faria o treinamento teórico sobre as melhores práticas e a revisão dos manuais de operador. Os últimos dois dias seriam dedicados ao treinamento no local, onde se realizaria primeiramente um estudo para determinar como melhorar a operação de corte. Em um segundo momento, um estudo avaliaria em que medida os objetivos desejados tinham sido alcançados. Infelizmente, devido às condições meteorológicas e de logística, tivemos de modificar o plano no momento. Algo que aprendemos na Rússia devido à logística em constante mudança das máquinas móveis e à imprevisibilidade do clima é que, se houver um plano, ele mudará.

O primeiro local de trabalho estava a 120 km de Novaya Igirma. O percurso até o campo foi de quase quatro horas, seguidas por mais 40 minutos até o local de trabalho em um caminhão Kamaz 6×6 com cabine para 28 passageiros. O Kamaz, fabricado na Rússia, venceu um recorde de 13 corridas Rali Dakar. Fiquei muito satisfeito por nosso motorista não acreditar que o caminhão deveria ir tão rápido quanto um caminhão no Rali Dakar, pois tenho certeza de que no Rali Dakar não fica ninguém na parte de trás do Kamaz!

As máquinas presentes nesse trabalho eram um feller buncher 860C (8.000 horas), um feller buncher L870C (14.000 horas), dois skidders 630D (13.000 horas) e quatro processadores H250B com cabeçotes de colheita 622B (14.000 horas). O treinamento foi realizado com um feller buncher 860C. O tamanho de peça nesse trabalho era de 0,2–0,3 m³ por árvore e as árvores eram cortadas em comprimentos de 4 m. A produção do feller buncher era de 90–110 m³ por hora, dependendo do operador.

Vista aérea de um talhão de colheita pequeno com um campo de exploração típico ao fundo.

Um talhão de colheita pequeno com um campo de exploração típico ao fundo.

Chegamos ao local da segunda rodada de treinamento nas mesmas máquinas em um veículo comercial Gazele construído na Rússia. Nosso motorista certamente parecia tentar provar que seu veículo era mais rápido do que um Kamaz ou qualquer outro veículo na estrada. Tentamos fazer um treinamento prático, mas a chuva impediu o deslocamento das máquinas. Em geral, os blocos de derrubada de árvores são muito pequenos em relação aos padrões norte-americanos — às vezes não chegam a 10 hectares com faixas reservadas de árvores residuais e de regeneração — o que faz com que as máquinas movimentem blocos mais rápido do que as estradas podem ser construídas.

O segundo local ficava a duas horas de voo em um helicóptero R44, evitando uma longa e árdua viagem de carro até um campo na região de Kerensky. Após a chegada, um veículo UAZ de fabricação russa nos levou até um campo antes de nos dirigirmos para o local de derrubada de árvores, a 20 km de distância. A viagem para o local de derrubada de árvores foi uma experiência única, atravessando vários rios e riachos no Kamaz de transporte da equipe. Depois, subimos em um antigo tanque de transporte do exército para chegar às máquinas.

Nesse local, havia duas carregadeiras 860C com 20.000 horas equipadas com cabeçotes de colheita 622B mais recentes, um skidder 630D (11.570 horas) e um feller buncher 860C (3.600 horas). Novamente, o treinamento se concentrou no feller buncher 860C. O tamanho de peça nessa área era um pouco maior, variando entre 0,6 e 0,8 m³ por árvore, com muito menos espécies de folhas caducas misturadas. Os comprimentos de corte em lariço e pinheiro eram de 6 m.

O segundo dia consistiu em treinamento teórico para oito operadores, seguido de treinamento prático na floresta. Tivemos a sorte Funcionários em um local de trabalho.de levar mochilas bem pesadas, assim as mutucas não nos pegaram. Nascido e criado na região leste do Canadá e tendo vivido na Colúmbia Britânica por 22 anos, pensava já ter visto insetos que picavam. Isso serve para mostrar que você sempre experimentará coisas novas se mantiver os olhos bem abertos e a pele exposta.

Infelizmente, o helicóptero não estava disponível, por isso a viagem de retorno não pode ser realizada por via aérea, mas em uma barca e uma balsa que atravessaram o rio Lena e depois de carro, em uma viagem de 500 km até Novaya Igirma. A viagem foi interrompida por paradas frequentes para transferência de combustível e para provar diferentes filtros de combustível, para que o UAZ aguentasse o trajeto de doze horas.

Dois homens sentados no topo de um tanque de transporte russo.

Tanque de transporte russo.

Em geral, os acampamentos russos são bastante rígidos: de dois a quatro homens em um trailer com uma mesa, uma pia e um fogão a lenha. Os trailers são dispostos em formato de ferradura, como se fosse uma rua sem saída. Os trabalhadores ficam no acampamento por um mês, e algumas vezes precisam viajar por vinte horas para chegar até lá. O cardápio inclui pratos tradicionais bastante decentes.

As equipes que trabalhavam nesses campos se mostraram extremamente receptivas aos esforços da Tigercat em ajudá-los a conseguir um melhor desempenho, com o objetivo de fazer as máquinas durarem mais, com menos avarias. Cada aventura com o objetivo de visitar os clientes da Tigercat é uma experiência única e memorável, e a visita à Rússia não foi diferente. As pessoas que conhecemos nas áreas remotas da Sibéria eram trabalhadoras, austeras e orgulhosas, com um senso de humor formidável. Não vejo a hora da minha próxima aventura na Rússia.