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BTB 30: PLANÍCIES VERDEJANTES

Começar do zero e a história da PG Bison.

— Paul Iarocci

A PG Bison, uma empresa sul-africana de grandes dimensões e verticalmente integrada, de propriedade da Steinhoff International, fabrica e comercializa madeira, postes, produtos de painéis à base de madeira, laminados decorativos e materiais de revestimento sólidos.

As encostas e os vales adjacentes à Cordilheira do Drakensberg são uma mescla de plantações de pinheiros e eucaliptos, pastos e outras vegetações nativas.

As encostas e os vales adjacentes à Cordilheira do Drakensberg são uma mescla de plantações de pinheiros e eucaliptos, pastos e outras vegetações nativas.

Em 2006, a empresa comprou 82.000 hectares de plantação e pastagens da empresa florestal sul-africana Mondi. A terra, nas cercanias de Ugie e Maclear, em uma área remota do Cabo Oriental e rodeando a famosa Cordilheira do Drakensberg, é composta por um mosaico de plantações de pinheiros e eucaliptos, misturado com pastos nativos de alta qualidade, adequados para pastagem de gado. A PG Bison tem 5000 cabeças de gado nos pastos. A raça Nguni é famosa por suas peles mosqueadas. Diversas espécies nativas, como a zebra, o gamo e o gnu, também podem ser vistas na área.

As áreas florestais, ocupando cerca de 33.000 hectares do total das terras, foram plantadas pela Mondi no começo dos anos 90, depois de a terra ter sido comprada em parcelas de diversos agricultores e latifúndios individuais. Embora a Mondi mantenha as plantações, a empresa nunca deu início a operações de colheita.

As zebras pastam em uma seção colhida recentemente na frente da fábrica de prensagem contínua de cartão de alta tecnologia da PG Bison.

As zebras pastam em uma seção colhida recentemente na frente da fábrica de prensagem contínua de cartão de alta tecnologia da PG Bison.

Em 2008, a PG Bison concluiu a construção da fábrica de cartão Ugie. Única na África do Sul, a moderna fábrica de prensagem contínua de cartão usa a tecnologia alemã mais recente. Construir a fábrica em uma comunidade remota e rural foi apenas um dos desafios que a PG Bison enfrentou. Em termos de operações florestais, a empresa estava basicamente começando do zero. O gerente de operações Pieter de Wet afirma: “Quando começamos há quatro anos e meio, esta era uma operação de planície verdejante”.

Quando a PG Bison comprou a terra da Mondi, a região de Ugie-Maclear tinha uma taxa de desemprego muito alta e infraestrutura precária. Além disso, a população ativa era inexperiente e não era preparada adequadamente para operar equipamentos modernos de colheita. “É preciso recordar que operamos em uma área com uma taxa de desemprego de 71% e com pessoal de baixa qualificação”, enfatiza Pieter. “Por isso, passamos por um processo de seleção, reunimos as pessoas certas e as treinamos antes mesmo de as máquinas chegarem para acelerar a curva de aprendizado.”

Mark Wells, gerente de colheita, pondera os desafios enfrentados pela PG Bison. “Quando começamos, não tínhamos nenhuma infraestrutura. Precisamos construir uma oficina do zero. Foi preciso muita interação com indivíduos que tinham a experiência que não existia na área.”

A LH830C equipada com o Log Max E6 na colheita e processamento de eucalipto no toco.

A LH830C equipada com o Log Max E6. O E6 está provando ser muito eficaz no descascamento de troncos de 0,15 a 0,3 m³.

Ponderando diversos fatores, Pieter instalou um sistema de colheita corte a medida (CTL). Um dos motivos principais para um sistema forwarder/colheitadeira era um aspecto ambiental. As plantações muitas vezes ascendiam de vales úmidos e ambientalmente sensíveis, que implicavam em grandes distâncias de transporte sobre terreno pouco firme — uma situação nada adequada para skidders da garra. “Realizamos um estudo pormenorizado sobre os diferentes sistemas de colheita”, afirma Pieter. “Operamos em uma das áreas florestais mais sensíveis do país, e o corte no comprimento é um pouco menos agressivo para o ambiente.”

Outro fator importante para Pieter foi a estrutura e a geografia das plantações. A um raio de 65 km da fábrica, as seções de plantação são uma mescla de talhões com diversas espécies de pinheiros e eucaliptos, dependendo das condições e da elevação do solo. Para colher de forma sustentável e atender às demandas da fábrica de cartão e dos clientes da serraria da PG Bison, as máquinas se movimentam muitas vezes de uma pequena seção para outra, e é necessário colher em diversos lugares simultaneamente. Como Pieter destaca, “Claro que era possível alcançar os mesmos números de produção com um único sistema skidder-feller buncher, mas isso não permitiria a flexibilidade que exigimos”. Um único sistema de alta produção limitaria a capacidade da PG Bison de colher pinheiro e eucalipto ao mesmo tempo. Além disso, um feller buncher tende a se adiantar aos processadores e Pieter explica que ter madeira parada durante longos períodos de tempo afeta seriamente a capacidade de descascamento dos processadores.

Prados ondulados e verdes preenchem o primeiro plano e o plano médio, uma Protea florescendo está no centro da imagem. Sobre a Protea, um céu azul e nebuloso.

Administradores de terra. Como uma grande latifundiária de Ugie, a PG Bison não cuida apenas de suas plantações e estradas, mas também assume responsabilidade por grandes despesas da terra que permanece em estado natural. A planta que está florescendo, Protea, é nativa da África do Sul.

A fábrica de cartão consome 1500 toneladas métricas de fibras por dia e aceita comprimentos de 3 m. Para alcançar essa produção diária, a PG Bison comprou quatro sistemas CTL. As colheitadeiras são carregadeiras de esteira Tigercat H822C ou LH830C com cabeçotes Log Max (o E6 mais recente está provando ser um cabeçote de descascamento de eucaliptos particularmente eficaz para árvores de 0,15 a 0,3 m³). Os forwarders são modelos Tigercat 1065. Além disso, a PG Bison comprou uma LH830C usada com um cabeçote de colheita TH575 Tigercat para corte e processamento de toras de pinheiro para serraria. Cada sistema está produzindo em média 20 m³ por hora com troncos de tamanho de 0,2 a 0,3 m³. No total, a PG Bison colhe 450.000 m³ por ano (a PG Bison também comprou carregadeiras Tigercat 220 montadas em caminhão para carregar caminhões).

Pieter optou pela marca Tigercat por diversos motivos, mas a maioria deles se relaciona especificamente com o tempo de funcionamento. Pieter comenta: “Passamos por um processo bastante rigoroso, e todos os aspectos relacionados com o treinamento e serviço de apoio foram muito importantes e o motivo pelo qual decidimos escolher as máquinas da Tigercat. Devo dizer também que a Tigercat não nos deixou na mão. Quando as máquinas foram comissionadas, havia técnicos presentes e, até o momento, tem havido cursos técnicos todos os anos, nos quais podemos inscrever nossos funcionários”

Mark acrescenta: “A Tigercat foi a única empresa que estava verdadeiramente preparada para nos oferecer um período de treinamento de comissionamento, contribuindo com experiência e profissionais capacitados para nos ajudar e dar início aos trabalhos”.

Uma LH830C colhendo toras de pinheiros no topo de uma colina. Um feller buncher 822C derrubando árvores.

O 822C. Além das quatro colheitadeiras equipadas com Log Max, a PG Bison usa uma LH830C equipada com cabeçote Tigercat TH575 para colheita de toras de pinheiros para serraria.

A durabilidade era um requisito importante porque as máquinas seriam usadas para treinamento de operadores. Como a PG Bison ainda possui uma alta rotatividade de funcionários, o treinamento de operadores tem sido contínuo e prossegue até aos dias de hoje. Não devemos subestimar o castigo adicional que as máquinas CTL sofrem quando são operadas por profissionais inexperientes. A durabilidade e a qualidade de construção do produto Tigercat percorreram um longo caminho para manter taxas de disponibilidade aceitáveis, bem como a vida útil global da máquina. “Damos treinamentos há quatro anos e meio”, explica Mark. “Tem sido um exercício contínuo, em que apresentamos as máquinas a novas pessoas. As máquinas superaram todas as expectativas que tínhamos no começo.”

Pieter ficou satisfeito especialmente com as carregadeiras de construção específica, com especial atenção prestada à eficiência hidráulica e capacidade de arrefecimento (no verão, as temperaturas podem ultrapassar 35 °C e, curiosamente, no inverno muitas vezes neva até os joelhos).

Outro fator igualmente importante se relaciona com o isolamento das operações. “Devido a nosso isolamento, tínhamos um perfil de risco único”, explica Pieter. O suporte ao produto oferecido pelo distribuidor da Tigercat, AfrEquip, bem como o suporte direto da fábrica, iam muito além daquilo que outros fornecedores ofereciam. A AfrEquip tem um técnico de assistência em tempo integral, Rudy Ferreira, no terreno em Ugie para cuidar exclusivamente da frota Tigercat da PG Bison.

Foco nas pessoas

A PG Bison é uma empresa moderna, e não haveria melhor pessoa que Pieter para liderar as operações. Para um homem envolvido com atividades florestais, suas habilidades de gerenciamento de recursos humanos são exemplares. Em maio de 2011, o centro de treinamento e desenvolvimento da PG Bison foi oficialmente inaugurado. Seu objetivo era oferecer treinamento florestal profissional e atualizado, reconhecido pela FIETA (Forest Industries Education and Training Authority — Autoridade para o treinamento e a educação de indústrias florestais) e pela TETA (Transport Education and Training Authority — Autoridade para o treinamento e a educação de transporte).

Como explica Pieter, o treinamento de operadores da PG Bison está disponível para qualquer pessoa, e não apenas para seus funcionários. O programa recebe indivíduos que podem nunca ter dirigido um carro antes e ensina a eles as complexidades da operação de colheitadeiras e forwarders, bem como competências vitais básicas, como gerenciar finanças domésticas. A tabela salarial e os benefícios da PG Bison vão muito além da média da comunidade, e os padrões de saúde e segurança dos funcionários são muito importantes. Os benefícios para a comunidade são vastos e difíceis de quantificar. A empresa melhorou consideravelmente a infraestrutura de Ugie e das redondezas. No geral, as operações da PG Bison em Ugie empregam quase 3000 pessoas locais.

Um forwarder 1065 carrega toras em seus fueiros. Colinas verdes podem ser vistas à distância.

Foram quatro anos difíceis. A PG Bison opera quatro forwarders 1065. A durabilidade era um critério de compra importante. As máquinas tiveram diversos operadores e um treinamento para novos operadores está em andamento.