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BTB 49: Na prática, com Theresa Lonergan

Desde a realização de auditorias de segurança até a operação dos forwarders e a compra de peças, Theresa se envolve bastante nos negócios da família.

— Samantha Paul

Theresa Lonergan é a orgulhosa proprietária, junto de seu marido Peter, da P&T Lonergan Pty Ltd, uma empresa de extração madeireira com duas equipes sediada em Tumbarumba, Nova Gales do Sul, Austrália. O casal é proprietário da empresa desde 2007 e celebrou com alegria o aniversário de dez anos dos negócios no ano passado.

 

AS MULHERES PRECISAM PARTICIPAR MAIS.
Não há necessidade de se esconder no escritório.

 

Theresa Lonergan, da P & T Lonergan

Theresa Lonergan, sócia da P & T Lonergan Pty Ltd

Tendo crescido em uma fazenda com três irmãos mais velhos, Theresa estava muito familiarizada com o trabalho duro. No entanto, ela nunca imaginou que seria proprietária de uma empresa madeireira com sua família. “Meu marido, Peter, trabalha no setor há trinta anos, mas eu nunca pensei em trabalhar nisso também”, diz ela. Agora, Theresa está envolvida em todos os aspectos do negócio, verificando a equipe, operando o forwarder, conduzindo auditorias de segurança, terceirizando peças e organizando a papelada do escritório. “Adoro estar na floresta. Se eu não precisasse fazer todo o resto, incluindo trabalho doméstico e papelada de escritório, ficaria no forwarder o dia todo”, diz Theresa.

 

ADORO ESTAR NA FLORESTA.
FICARIA NO FORWARDER O DIA TODO.

 

Theresa e Peter estão casados há 25 anos. Eles têm três filhos: Callum, 23, Benjamin, 19 e Zoe, 17. Callum trabalha com uma colheitadeira Tigercat LH822D e Benjamin, com um modelo mais antigo, a LH830C. “Sempre existem desafios [em trabalhar com a família], mas somos unidos, e isso nos mantém ainda mais unidos”, explica Theresa. “Não dá para fugir. Em nossas férias, visitamos fábricas. É difícil conciliar tudo. Mas nós adoramos”, diz ela, sorrindo.

Peter e Theresa Lonergan em frente a um forwarder 1085C Tigercat.

Peter e Theresa Lonergan.

Quando a família não está trabalhando na floresta, todos vão passear nas montanhas de Nova Gales do Sul. Eles também adoram praticar tiro ao alvo na argila: em 2018, Theresa e Zoe ganharam o Campeonato de Tiro Júnior e para Mulheres pelos clubes de tiro Cooma/Tumut. “Todos riem porque trabalhamos a semana toda juntos e depois vamos praticar tiro ao alvo, acampar ou fazer caminhadas nos finais de semana”, diz ela, com um sorriso.

Muitas equipes de lenhadores contratados na região são formadas por marido e mulher. Theresa está sempre bastante envolvida nas operações e opera os equipamentos sempre que necessário. “Não é um choque por aqui o fato de eu possuir uma empresa madeireira e operar equipamentos florestais, mas quando vamos para eventos do setor, as mulheres ficam surpresas com o meu envolvimento nas atividades diárias”, explica Theresa. Theresa conhece apenas mais uma mulher que trabalha na área. “Acho que o setor florestal e a extração madeireira sempre foram consideradas áreas perigosas, e isso assusta as pessoas”.

Theresa Lonergan trabalhando no forwarder 1075C.

Theresa trabalhando no forwarder 1075C, “Opero o forwarder sempre que necessário”.

Cavalos curiosos vagando pelas colinas.

Cavalos curiosos vagando pelas colinas.

Engrenagem e operações

A P & T Lonergan Pty Ltd começou com o equipamento da Tigercat em 2007: uma colheitadeira H845 e um forwarder 1014. Em 2008 a empresa comprou um 1075B e, em 2012, uma colheitadeira LH830 usada, que foi substituída por um modelo novo em 2014. Em julho do ano passado a empresa comprou um 1075C e uma nova colheitadeira LH822D.

A P & T trabalha principalmente para a Hyne Timber, uma serraria em Tumbarumba. Ambas as equipes trabalham principalmente com a extração de pinheiros maduros, mas também realizam um pouco de segunda operação de desbaste. A produção média das duas equipes é de aproximadamente 700 toneladas por dia. “O tamanho médio de uma árvore varia entre 0,8 e 1,5 metros cúbicos nos locais maduros”, afirma Theresa. Peter e Theresa estavam bastante confiantes em começar um negócio próprio quando surgiu a oportunidade. Peter já conhecia o lado operacional do setor florestal, pois trabalhava na indústria há mais de trinta anos. “Trabalho na área há um tempo, então tive a ideia, mas há muito trabalho extra que envolve a propriedade e a gestão do negócio próprio”, diz ele.

 

Quando saímos para eventos do setor,
AS MULHERES FICAM SURPRESAS COM O MEU ENVOLVIMENTO NAS ATIVIDADES DIÁRIAS.

 

Theresa trabalhou no setor bancário por quinze anos e temporariamente em vinhedos e postos de serviço quando seus filhos eram pequenos. “Foi uma boa mudança sair do setor bancário e fazer trabalhos diferentes. Mas começar nosso próprio negócio de extração de madeira foi um enorme aprendizado para mim.”

A relação com a Tigercat

Theresa e seu marido visitaram as fábricas da Tigercat no Canadá em 2009, 2016 e 2018. “Fiquei impressionada com o tamanho da empresa quando voltamos em 2016. A automação com robôs tinha aumentado, foi simplesmente fantástico. Foi como uma história de sucesso após a desaceleração de 2009”, afirma. “É incrível revisitar a fábrica e ir a exposições diferentes, você vê a mesma equipe, as mesmas pessoas. Não sei como o Ken [MacDonald] se lembra de todos, mas ele se lembra. Ele vem até nós e diz: ‘Olá Theresa, Olá Peter’. Fico impressionada.”

O filho Ben, de 19 anos, operando a LH830C.

O filho Ben, de 19 anos, operando a LH830C.

“Nossas máquinas funcionam por várias horas seguidas e nunca tivemos grandes problemas”, diz Theresa. A empresa precisou substituir o motor da sua primeira colheitadeira H845. “Não foi um problema para nós. A máquina já tinha 30.000 horas de operação.”

O primeiro forwarder 1014 da Tigercat, de quatorze toneladas, era confiável, mas não tinha a capacidade certa para a operação, então eles decidiram comprar o 1075B, de vinte toneladas, depois da AusTimber, em 2008. “Naquela época, podíamos justificar os preços porque conhecíamos a produtividade e a confiabilidade da Tigercat”, explica ela. Callum e Benjamin, filhos de Theresa, têm um amigo na Suécia que trabalha com outra marca de forwarder. Recentemente, ele voltou para a Austrália para uma visita e testou o Tigercat 1075C. “Quer fazer um teste?”, perguntou Theresa. “Agora ele sempre fala que nos odeia porque fizemos ele experimentar algo melhor”.

Campeonato de Tiro Júnior e para Mulheres pelos clubes de tiro Cooma/Tumut em 2018.

Theresa e sua filha Zoe adoram praticar tiro ao alvo na argila e em 2018 elas ganharam o Campeonato de Tiro Júnior e para Mulheres pelos clubes de tiro Cooma/Tumut.

Os dois garotos sempre quiseram trabalhar com os pais na floresta. Eles terminaram a escola aos dezesseis anos, concluíram o treinamento com certificado de nível III em colheita e transporte e não pensam em outra profissão. O contrato atual da P & T Lonergan Pty Ltd é de seis anos, e ainda restam cinco anos e meio. O objetivo é que os meninos assumam o negócio quando os pais se aposentarem. O papel da filha da Theresa nos negócios da família é tão importante quanto o dos filhos. “Ela não trabalha aqui na floresta conosco, mas, quando chega da escola às 15h30, ela lava a roupa e prepara o jantar”, diz Theresa. “Ela ajuda muito. Às vezes trabalho o dia todo e não jantaríamos se não fosse por ela.” Theresa e Peter estão felizes com as duas equipes que eles têm agora. Eles pensaram em expandir para uma terceira, mas é difícil encontrar funcionários. Faltam operadores na área.

“Para quem gosta de trabalhar ao ar livre, é uma boa opção. As recompensas são boas. As mulheres precisam se envolver mais. Se os parceiros delas já trabalham no setor, elas precisam tentar também, mesmo que seja apenas para entender os equipamentos e participar um pouco. Não há necessidade de se esconder no escritório”, afirma Theresa.

O filho Callum trabalhando com a colheitadeira 1185 Tigercat em um dia de testes.

Callum trabalhando com a colheitadeira 1185 Tigercat em um dia de testes.

 

Palavras da Theresa

QUERO ENCORAJAR AS MULHERES, TANTO AS JOVENS COMO AS MAIS VELHAS, A TENTAR. 
Aprendam os requisitos de segurança e fiquem atentas. Não precisam ficar assustadas. As máquinas são grandes e pesadas, e pode ser um desafio fazer a manutenção.
Mas se você tiver uma boa equipe, poderá trabalhar em conjunto.

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